“As minhas
palestras são como uma transferência de angústia. Quanto mais angustiados vocês
saem daqui, menos angustiado saio eu”,
Lúcio Flávio
Pinto durante a conferência
Depois de
mesas-redondas, conferências, apresentações e discussões de artigos e relatos
de experiência nos oito grupos temáticos, o 2º Encontro Regional Norte de
História da Mídia e 2º Seminário de História, Cultura e Meios de Comunicação na
Amazônia encerrou a sua programação. O evento, que deu o primeiro passo para as
comemorações dos 200 anos de instalação da imprensa no Norte do Brasil,
concluiu os seus dois dias de atividades trazendo a experiência e o trabalho
comprometido de um dos jornalistas mais importantes da atualidade: Lúcio Flávio
Pinto, único realizador do Jornal Pessoal,
que há 25 anos dá espaço a relevantes temas sobre a região amazônica e ganha,
cada vez mais, destaque no cenário do jornalismo alternativo brasileiro. O tema
da conferência de encerramento foi Mídia
e relações de poder na Amazônia.
Questões atuais e
relevantes da mídia na Amazônia foram apresentadas pelo jornalista. Fazendo
comparações entre diferentes períodos históricos, Lúcio Flávio Pinto destacou a
posição da região amazônica como “destino colonial”. Como exemplo, citou o
destino dos recursos naturais do Pará, com destaque para o minério de ferro que,
segundo previsões do jornalista, a partir de 2015, teria seu esgotamento em 80
anos. Ele apontou a ausência de temas como esse na grande imprensa.
Lúcio Flávio atuou em
grandes jornais do país. Realizou trabalhos como correspondente na Amazônia e
agora está à frente do Jornal Pessoal.
Durante a apresentação no evento, também ressaltou as possibilidades de novas experiências
que o exercício do jornalismo proporciona. Além disso, afirmou que o
“jornalismo não está cumprindo sua missão de descobrir o invisível e o
jornalista devia ser aquele que está alerta para o pequeno acontecimento que
pode ser o dedo do gigante. O jornalista é o auditor do povo. Ao socializar a
informação, quanto mais útil ela for ao povo, mais nociva é a quem manipula a
informação”.
O jornalista e também
sociólogo Lúcio Flávio Pinto coleciona prêmios, livros e processos, em meio ao
prestígio nacional e internacional. Na luta pela verdade e contra as injustiças
sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe
d’oro per La Pace. Em 2005, na defesa pela Amazônia e os direitos humanos,
recebeu o prêmio anual do Comitee for
Jornalists Protection (CPJ), em Nova York. Em outubro deste ano, ao lado do
jornalista Alberto Dines, Lúcio Flávio recebeu um prêmio especial “pelos
relevantes serviços prestados à causa da democracia, da paz, da justiça e
contra a guerra”, durante a solenidade de entrega do 34º Prêmio Jornalístico
Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
Ao encerrar a conferência,
a coordenadora geral do evento, professora Netília Seixas, em nome da
Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia, prestou uma
homenagem a Lúcio. A singela placa de homenagem destacou a trajetória do
jornalista e reconheceu a importância do seu trabalho, uma fonte constante
quando a proposta é debater as questões da Amazônia, região que, segundo o
próprio Lúcio, “nos dá a possibilidade de fazer história”.
Texto: Phillippe Sendas