A pesquisadora
Christa Berger destacou a relação entre os três conceitos e usou exemplos
audiovisuais durante a apresentação
A cultura pensada como
um documento em movimento, pensada de maneira desmistificada. Ao articular
cultura, mídia e memória com suas pesquisas desenvolvidas, a professora da
Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos), Christa Berger, realizou a
Conferência de abertura do 2º Encontro Regional Norte de História da Mídia,
destacando a cultura da memória como uma característica presente nas sociedades
contemporâneas, marcadas pelo reconhecimento da presença midiática, isto é, o
reconhecimento de um novo poder.
Partindo do pressuposto
de que a música possui um vínculo operante com a política, a pesquisadora
apresentou três exemplos de canções em que a experiência descrita nas músicas é
transformada em memória. O exemplo de A
Carne, de Seu Jorge, numa interpretação de Elza Soares, traz repetidas
vezes o verso “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Uma cantora
negra cantando o destino de muitos negros no país: “Que vai de graça pro
presídio / E vai para debaixo de plástico / Que vai de graça pro subemprego / E
pros hospitais psiquiátricos”. Experiências transformadas em memória.
A pesquisadora ainda
ressaltou as questões envolvendo o “reavivamento” do passado por meio da mídia:
um resgate da memória na atuação midiática que detém, como destacou Christa,
uma potencial de historicidade.
Texto: Phillippe Sendas
Foto: Natália Costa