Mídia, cultura e memória são discutidas na conferência de abertura


A pesquisadora Christa Berger destacou a relação entre os três conceitos e usou exemplos audiovisuais durante a apresentação

A cultura pensada como um documento em movimento, pensada de maneira desmistificada. Ao articular cultura, mídia e memória com suas pesquisas desenvolvidas, a professora da Universidade do Rio dos Sinos (Unisinos), Christa Berger, realizou a Conferência de abertura do 2º Encontro Regional Norte de História da Mídia, destacando a cultura da memória como uma característica presente nas sociedades contemporâneas, marcadas pelo reconhecimento da presença midiática, isto é, o reconhecimento de um novo poder.
Entre os pontos discutidos pela pesquisadora, destaca-se a memória como objeto de observação e análise. Ao mesmo tempo em que a volta ao passado é uma maneira de lembrar para que o acontecido não se repita, existe também a memória do esquecimento. Neste caso, interesses sobrepõem à necessidade de desvendar o que aconteceu. Christa Berger, que desenvolveu projetos que abordavam questões referentes à mídia e a memória em acontecimentos históricos do Brasil, trouxe à tona o exemplo da Ditadura Militar, imposta no país em 1964, e ressaltou que “grupos de comunicação e dos próprios militares tem interesses em não relembrar o que ocorreu durante a Ditadura, um esquecimento pelo silenciamento”.
Partindo do pressuposto de que a música possui um vínculo operante com a política, a pesquisadora apresentou três exemplos de canções em que a experiência descrita nas músicas é transformada em memória. O exemplo de A Carne, de Seu Jorge, numa interpretação de Elza Soares, traz repetidas vezes o verso “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Uma cantora negra cantando o destino de muitos negros no país: “Que vai de graça pro presídio / E vai para debaixo de plástico / Que vai de graça pro subemprego / E pros hospitais psiquiátricos”. Experiências transformadas em memória.
A pesquisadora ainda ressaltou as questões envolvendo o “reavivamento” do passado por meio da mídia: um resgate da memória na atuação midiática que detém, como destacou Christa, uma potencial de historicidade.

Texto: Phillippe Sendas
Foto: Natália Costa

Este comentário foi postado em terça-feira, 13 de novembro de 2012. Você pode seguir as respostas usando o RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta.

Comentar